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ABRETI | Mercado

Título: Setor privado cobra política externa ativa
Fonte: Valor Econômico
Assis Moreira
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Diante das incertezas crescentes na Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC), o Brasil terá de calibrar logo as prioridades de sua agenda de negociações comerciais. Esse exercício deverá ocorrer em meio a críticas de parte do setor privado sobre o "condicionamento da política comercial aos objetivos de maior protagonismo da política externa brasileira".

No próximo dia 9, o governo reunirá o setor privado para discutir a negociação global e o futuro. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) já avisou que espera que o país adote uma agenda comercial "pragmática" para abrir mercados "relevantes" às exportações brasileiras.

O país colocou suas fichas na Rodada Doha, e tem apoio para isso. Mas o calendário político dificulta concessões por parte de países importantes no curto prazo.

Enquanto os Estados Unidos são cobrados a limitar seus subsídios agrícolas domésticos para algo entre US$ 13 bilhões e US$ 16,4 bilhões, a Casa dos Representantes passou uma uma nova lei agrícola que garante subsídios de US$ 22 bilhões por ano. O presidente George W. Bush promete vetar o que foi aprovado pela maioria democrata.

A Argentina, com eleição marcada para 28 de outubro, não quer nem ouvir falar em cortar tarifa industrial acima de 50% e recusa a nova proposta do mediador industrial na OMC como base para negociar.

É nesse cenário que os países voltarão a negociar em setembro. Na área industrial, o mediador Don Stephenson, depois da saraivada de críticas que recebeu, disse ao Valor que só fará novo texto com "o que sair das negociações entre os países". Não quer mais correr o risco de propor outros tamanhos de cortes nas tarifas industriais ou novas flexibilidades para setores sensíveis.

A conclusão é clara, para mais e mais analistas. "A Rodada Doha vai entrar num longo período de hibernação", avalia Carlos Perez de Castillo, representante uruguaio que teve sua candidatura a diretor-geral da OMC torpedeada pelo Brasil. "Uma rodada não morre, mas Doha não avançará tão cedo nesse cenário".

Após o fiasco de Potsdam entre o G-4 - grupo formado por Brasil, EUA, União Européia e Índia -, Brasília anunciou que aceleraria outras iniciativas comerciais, em paralelo aos esforços para salvar Doha.

Só que está cada vez mais difícil concretizar uma das opções, que é a negociação Sul-Sul para a troca de reduções tarifárias entre países em desenvolvimento. A China não participa da negociação, para alívio de boa parte dos países. Em contrapartida, o Brasil é temido pela sua competitividade agrícola. E as divergências aumentaram recentemente, ao invés de levar a compromissos para um acordo.

Está nos planos do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, tentar aproximações com a Asia a partir da reunião ministerial América Latina-Ásia do Leste, no Brasil, nos dias 22 e 23 de agosto. Também acha que o país precisa ser mais ativo comercialmente na América Central e no Caribe.

Já a CNI, em recente documento, chama a atenção para dois fatores que considera terem contribuído para os "fracos resultados" do país em negociações regionais até agora.

Primeiro, o "condicionamento da política comercial aos objetivos de maior protagonismo da política externa brasileira, que tem levado o país a abrir mão de suas demandas nas negociações com países em desenvolvimento".

E segundo, a "falta de foco na agenda de negociações comerciais, marcada pela multiplicidade de iniciativas. Novas frentes são incorporadas à agenda, sem que estejam definidos com clareza seus objetivos e sem que iniciativas já em curso apresentem progresso".

A entidade sugere esforços principalmente para abrir mercados dos Estados Unidos, União Européia, México, Índia e Africa, e fechar acordo com países do Conselho de Cooperação do Golfo.

Na verdade, a negociação UE-Mercosul, iniciada há oito anos, não avança porque a competitividade agrícola brasileira causa calafrios aos produtores europeus - e isso causará problemas em outras negociações importantes. Se houver acordo, será o primeiro no qual a UE aceitará abrir seu mercado agrícola.

Quanto ao "protagonismo" brasileiro, causa visíveis ressentimentos entre alguns membros da OMC. E não é só a Costa Rica, pequeno país da América Central, que dispara contra o país. "O Brasil é que se autodenominou líder dos países em desenvolvimento", alfineta Perez del Castillo. Após o fiasco de Potsdam, negociadores brasileiros começaram a fazer nuances. Dizem agora que o país "não representa, mas procura refletir" a posição dos países em desenvolvimento na Rodada Doha.
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