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ABRETI | Mercado

Transporte perde um terço do orçamento
Veículo: Site: Portos e Navios - Seção: Notícias - 27/04/2005
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Conteúdo: Verba da pasta passa de R$ 6,5 bi para R$ 4,2 bi; cortes devem afetar corredores destinados à exportação

O Ministério dos Transportes acaba de sofrer um corte de quase um terço de seu orçamento para 2005, que passou de R$ 6,5 bilhões previstos para R$ 4,2 bilhões. Do total, só R$ 3,8 bilhões serão alocados em infra-estrutura.

Com o corte, os gastos para as áreas de transporte rodoviário, portuário e ferroviário voltarão ao mesmo patamar de 1999, quando o Brasil exportava e importava apenas 55% da corrente de comércio atual.

Entidades empresariais e do setor de transporte afirmam que as reduções devem afetar principalmente os corredores que envolvem estradas, ferrovias e portos destinados à exportação. No ministério, são dados como ""certos" cortes em portos e rodovias.

Segundo dados obtidos pela Folha, dos R$ 3,8 bilhões previstos, estão garantidos mesmo só R$ 2,6 bilhões em investimentos acertados no projeto-piloto entre o Brasil e o FMI (Fundo Monetário Internacional) para a área de infra-estrutura. Desse total, R$ 978 milhões já foram liberados.

Relatório do Conselho de Infra-Estrutura da CNI (Confederação Nacional da Indústria) recém-finalizado e com perspectivas para 2005 afirma que, de todas as áreas, incluindo energia e saneamento, transportes é a mais carente de ""intervenções imediatas".

No ministério, a expectativa é que as PPPs (Parceria Público-Privadas) possam suprir neste ano a demanda que o setor público não puder atender. Para a CNI, as PPPs serão lentas e não "imediatamente disseminadas".

O exemplo do México, estudado pela entidade, mostrou que o país demorou anos para finalizar apenas três projetos do tipo.

""É uma fantasia do governo dizer que 2005 será o ano da infra-estrutura no Brasil. A realidade mostra investimentos à míngua, planos de concessão de estradas adiados por mais de um ano e incapacidade geral para privilegiar os corredores de exportação", afirma José de Freitas Mascarenhas, diretor da CNI.

Segundo cálculos da Anut (Associação Nacional dos Usuários de Transporte de Cargas), os custos dos fretes rodoviários e ferroviários dobraram nos últimos 12 meses por causa da maior demanda para o comércio exterior e da oferta insuficiente de vias e equipamentos para o setor.

""Hoje, comemora-se uma perda de 11 milhões de toneladas na safra agrícola para evitar um estrangulamento nos transportes", afirma José Ribamar Miranda Dias, vice-presidente da Anut.

A entidade estima que nos próximos três anos haverá um aumento de mais de 80 milhões de toneladas (sobre as atuais 276 milhões) na necessidade de transporte de fertilizantes, grãos e produtos siderúrgicos sem os investimentos correspondentes na área.

Para Clésio Andrade, presidente da CNT (Confederação Nacional do Transporte), ""não se trata de choradeira ou terrorismo de empresário". ""O apagão logístico já está ocorrendo", afirma.

(Fonte: Folha Online)

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