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ABRETI | Mercado

Título: Crise nas exportações pode chegar em até três anos, diz Fiesp
Fonte: Jornal O Estado de São Paulo
Seção: Economia
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Conteúdo: Segundo estudo realizado pela entidade, de um total de 31 setores exportadores, apenas sete contam com o mercado externo favorável

AO estudo "Desempenho das Exportações: até quando vai o crescimento?", realizado pela Fiesp, mostra que ainda não é possível prever por quanto tempo as exportações continuarão em alta, mas ressalta que o atual crescimento das vendas externas ocorre em bases frágeis. De um total de 31 setores exportadores, apenas sete contam com o mercado externo favorável; 10 têm mercado externo desfavorável, mas com margem de preços suficiente para sustentar as exportações; e 14 setores têm mercados externos não favoráveis e sem margens. De acordo com o estudo, a maior parcela das exportações (37,6%) é formada por setores que estão sem margem e com preços internacionais em queda. O restante é formado por segmentos que perdem margem e cujas empresas tendem a rever a decisão de manter a expansão das vendas externas.

Média
Segundo a pesquisa, a média dos preços das exportações brasileiras no segundo trimestre deste ano, medida em reais, estava 3,6% acima da média do período 2000-2006. Isso significa que, apesar do câmbio apreciado, os exportadores ainda registram bons ganhos, segundo a pesquisa. Seria uma boa notícia, na avaliação do diretor do Departamento de Pesquisas Econômicas da entidade, Paulo Francini, não fosse a enorme disparidade desses ganhos pelos 31 setores exportadores da economia brasileira analisados pelo estudo. "No curto prazo, até três anos, assistiremos a um quadro triste de queda nas vendas externas em várias áreas da economia", afirmou o empresário.
O estudo conclui, por exemplo, que a alta de preços é sustentada exclusivamente pela demanda mundial, ainda em expansão, que beneficia alguns poucos setores commoditizados brasileiros. O setor em melhor situação é o de açúcar, que tinha no segundo trimestre um nível de preços 33,7% superior à média de 2000 a 2006. No grupo do qual faz parte essa commodity (mercado externo favorável) também entram seis outros setores, entre eles metalurgia não-ferrosos (preços 26,3% acima da média 2000-2006); indústria do café (25,7%) e extrativa mineral (23,7%). "A tendência é que esses setores vão continuar a expandir suas exportações, apesar da valorização cambial. Há, porém, dois pontos negativos", ressalta Francini. O primeiro é que a continuidade da alta depende do cenário mundial aquecido que, mostra a história, é um fenômeno passageiro. Outro ponto: os dez setores com mercado externo favorável absorvem apenas 3% dos trabalhadores brasileiros da indústria exportadora e agropecuária. Esse mesmo grupo de mercado favorável foi responsável por 28% das exportações em 2005, o equivalente a US$ 32,5 bilhões.

Vendas externas decrescente
O estudo da Fiesp mostra ainda que 14 setores exportadores fazem parte do grupo com participação cada vez mais decrescente nas vendas externas, por conta de um mercado externo desfavorável e sem margens para sustentar as exportações. Dessa categoria, da qual já se nota redução de embarques e que responde por 37,6% da pauta exportadora, fazem parte equipamentos eletrônicos (preços em reais 39,3% inferiores, no segundo trimestre deste ano, à média de preços de 2000-2006); indústrias diversas (-18,5%); artigos do vestuário e indústria têxtil (-14%); agropecuária (-14,7%); químicos diversos (-10,1%); farmacêutica e perfumaria (-10,1%); artigos de plástico (-10,1%); automóveis, caminhões e ônibus (-10,2%). "Para esses setores, vemos um futuro triste", afirmou o diretor do Departamento de Pesquisas Econômicas da Fiesp, Paulo Francini, destacando que são setores de mão de obra intensiva e que respondam por 80,6% dos empregos da indústria exportadora e agropecuária. "À medida que esses setores têm piores condições de exportação, menor o impacto das vendas externas na geração do emprego", afirmou o diretor da Fiesp.
E são também esses mesmo setores, de mercado externo desfavorável que contribuem com 49,3% para a formação do PIB. "O fato de esses setores se encontrarem em dificuldades de manter as vendas externas significa uma forte restrição ao efeito das exportações no crescimento econômico do Brasil", completou.

Área de risco
Dez setores exportadores estão na chamada "área de risco", nas palavras de Paulo Francini, diretor do Departamento de Pesquisas Econômicas da Fiesp. Isso quer dizer que esses produtos convivem com um mercado externo desfavorável em termos de preços (declinantes), mas ainda conseguem sustentar as margens. "É um grupo cujo desempenho futuro é duvidoso", disse o empresário. Nessa categoria, três estão relacionados à agroindústria (laticínios, beneficiamento de produtos vegetais e abate de animais) e têm preços entre 3% e 5,1% inferiores, em reais, à média 2000-2006. Os setores em melhores condições nesse grupo são siderurgia e outros produtos metalúrgicos, cujos preços ainda estão (8,3% e 2% em reais, respectivamente) acima da média 2000-2006, apesar do declínio dos últimos dois anos.
Em conjunto, eles respondem por 34,4% das vendas externas, empregam 16,4% dos trabalhadores da indústria exportadora e agropecuária e contribuem com 23% para a formação do PIB. "Esses setores tendem a reduzir os embarques e se voltar para o mercado interno, caso haja demanda doméstica", concluiu Francini.

Valorização cambial
A Fiesp atribui à política monetária restritiva do Banco Central a intensificação da valorização cambial, iniciada com o aumento de preços das exportações brasileiras a partir de 2003. Segundo o estudo, o aumento dos preços dos produtos exportados tende a valorizar a taxa de câmbio de um país. E no caso do Brasil, essa alta de preços equivale ao aparecimento de uma variante da doença holandesa, fenômeno que inviabiliza a existência de atividades produtivas em favor do aumento das exportações de commodities. O fato, segundo Francini, é que o Brasil sofre uma variante dessa doença porque a demanda mundial que sustenta os preços das exportações é passageira. De acordo com o estudo, além do aumento do preço das exportações, motivado pelo câmbio, outro fator de valorização da moeda é o favorecimento da política econômica às operações de arbitragem no mercado de dólar.
Na avaliação da Fiesp, o aumento de compra de divisas pelo Banco Central e a neutralidade da Selic desestimulariam as operações de arbitragem e estacariam a valorização do real, criando assim um ambiente mais competitivo às exportações e ao crescimento econômico.

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