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Especialistas criticam governo e indicam soluções para a logística durante o Fórum Transnacional de Comércio Exterior (SITE - NET MARINHA)
Veículo: Site: Net Marinha - Seção: Logística - 20/08/2004
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O debate, ministrado pela jornalista Miriam Leitão, levantou a questão dos gargalos logísticos nas exportações brasileiras e buscou, junto aos executivos de diversos segmentos, discutir os principais entraves que atrasam o desenvolvimento nacional.

A Feira Transnacional 2004, recebeu durante o Fórum Transnacional de Comércio Exterior, que ocorreu em paralelo ao evento, diversos especialistas para discutir os maiores entraves que comprometem um crescimento ainda maior das exportações brasileiras. O debate, mediado pela jornalista Miriam Leitão, primou por apontar os gargalos logísticos do Brasil.

Na opinião da jornalista, "o Brasil cresceu absurdamente e não se investiu em infra-estrutura. O caminho para a economia nacional é a exportação, porém, enfrentamos grandes problemas logísticos".

Maurice Costim, diretor do Centro Internacional de Negócios (CIN) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, presente ao evento, lembrou que existe muita dificuldade de embarques. "Produzimos, vendemos os produtos e não entregamos no prazo acordado. De nada adianta ter preço, qualidade, se não temos o principal que é a pontualidade na entrega", declarou.

Segundo ele, "o Brasil teria condições de exportar, ainda em 2004, os US$ 100 bilhões tão desejados pelo ministro Furlan. Se não fossem os problemas logísticos, teríamos totais condições de exportar todo o montante planejado para 2006", disse. Costim ressaltou ainda que nunca pensou que poderia ocorrer a falta de navios, por exemplo. "O interesse nacional não é somente gerar divisas com a exportação, mas também emprego e renda para a população brasileira. O que queremos é que os empresários se unam e que todos os questionamentos não sejam em vão", completou.

Eduardo Cruz, presidente da Associação Brasileira das Empresas Operadoras de Regimes Aduaneiros (Abepra), defendeu também que o "Brasil precisa de infra-estrutura para poder exportar". De acordo com ele, os portos secos podem ser considerados estruturas completas que podem auxiliar as vendas externas e as aquisições. "As EADIs têm capacidade de gerar capital de giro para as empresas. Pode-se entrepostar a mercadoria e exportá-la a medida em que exista a demanda", explicou.

Cruz disse ainda que no Brasil existe, no total, 63 portos secos que dispõem de uma área de mais de seis milhões de metros quadrados. "Infelizmente, o porto tem muita função de depósito de carga, o que dificulta a operação. O problema é que falta uma cultura de exportação no empresariado nacional. Outra questão está relacionada a questão da remoção e trânsito aduaneiro", afirmou. A partir da declaração do executivo, Miriam Leitão aproveitou e sugeriu à Receita Federal que trabalhem 24 horas por dia e sete dias por semana já que o lema do momento é o just in time.

Sérgio Salomão, presidente-executivo da Associação Brasileira dos Terminais de Contêineres de Uso Público (Abratec), defendeu no debate que "o contêiner é a majestade da logística mundial". Segundo ele, os terminais já investiram US$ 400 milhões em equipamentos e capacidade operacional para tentar minimizar as questões relacionadas aos gargalos logísticos.

"Os gargalos não estão nos terminais, mas nas vias de acesso, como a insuficiência da malha ferroviária que atende aos portos e a ocupação desorganizada das áreas portuárias", explicou. Para Salomão, outro empecilho é "a operação padrão que os trabalhadores portuários realizam com a finalidade única em desafiar o Tribunal Regional do Trabalho (TRT)".

Para Paulino Moreira da Silva, superintendente de infra-estrutura do Porto de Santos, os problemas que prejudicam a logística portuária, principalmente em Santos, é a questão dos acessos ao complexo portuário. "As obras para construção das perimetrais estão em vias de ocorrer. Investimos mais de R$ 790 milhões em obras de integração", declarou.

Silva lembrou ainda que no primeiro semestre do ano, o movimento portuário apresentou um incremento de 30%. "Temos quatro obras localizadas, com previsão de término para o final do ano, que estão centradas na região do armazém um, via de acesso à Libra Terminais, criar condições de um acesso direto da soja ao Corredor de Exportação e resolver os problemas com os ramais ferroviários", disse. Na opinião do representante do Porto de Santos, "o que realmente falta é um melhor planejamento logístico por parte dos operadores".

Roberto Prudente, diretor da Associação Brasileira das Empresas de Transporte Internacional (abreti), afirmou no debate que "é a primeira vez que o país se encontra com problemas relacionados à exportação". De acordo com ele, "as empresas de transporte internacional de carga aérea e marítima aumentarão ainda mais o preço das operações em razão da demanda".

Para ele, o entrave está diretamente relacionado à falta de previsão. "Em um ano temos um cenário. Em outro, verificamos que todo o nosso planejamento de nada adiantou. A solução logística não precisa ser descoberta por empresas individualmente. Podemos nos unir e seguir o exemplo da China e de Cingapura", explicou.

O presidente do Centro Nacional de Navegação Transatlântica (CNNT), Pedro Henrique Garcia de Jesus, defendeu que o problema real é que falta navios para atender o grande aumento das exportações. "O salto pegou os armadores desprevenidos. A melhoria da economia é mundial e não só do Brasil", disse. Segundo ele, "a China é a culpada pela escassez de embarcações já que é o país que tem um tráfego de comércio balanceado".

Jesus ressaltou também que "os estaleiros estão comprometidos até 2007 e aumento constante do preço do aço também prejudica a construção de novos navios". O executivo explicou que atualmente, o Brasil está reativando os estaleiros, mas não para a construção de navios mercantes.

Valdir Santos, presidente do Sindicato dos Despachantes Aduaneiros de São Paulo, Campinas e Guarulhos (Sindasp/CG), disse que a morosidade da Receita Federal compromete as exportações. "Se a mercadoria cai no canal vermelho, no mínimo levamos 15 dias para liberar. A questão na área de importação também é grave. Isso requer uma maior agilidade da Receita Federal", ressaltou.

Para ele, "Santos se tornou um eixo de exportação de veículos e precisa de mais um terminal para embarque. Outro ponto é a rápida construção das perimetrais". O executivo lembrou ainda aos presentes que é uma vergonha não se ter o nome do inspetor da Receita Federal do maior porto da América Latina.

Nelson Farias, gerente de logística da Infraero, disse que, diferentemente dos outros modais, o aeroportuário não encontra muitos gargalos. "Em Guarulhos, temos de 90 a 100 vôos diários com carga tanto de importação quanto exportação, o que demonstra o crescimento do transporte de carga pelo modal aéreo", afirmou.

De acordo com Farias, após os atentados de 11 de setembro nos Estados Unidos, "tivemos uma redução de tamanho das aeronaves e também no número de vôos". E continuou: "os aeroportos, no setor de exportação, trabalham 24 horas por dia nos 365 dias do ano. Assim, não temos comprometimento das operações".

Sérgio Bacci, secretário de Fomento Para Ações de Transportes do Ministério dos Transportes, ao contrário dos outros presentes, foi bombardeado por perguntas sobre a posição do governo com relação a resolver os problemas de infra-estrutura nacional. "Isso reflete uma situação delicada. Pegamos um governo anterior totalmente destruído. Temos 72 mil quilômetros de estradas, sendo que 47% estão em péssimo estado, 28 mil quilômetros de ferrovias operadas por concessão, que sofrem com a questão da invasão da faixa de domínio e insuficiência de vagões", tentou explicar.

De acordo com ele, o governo investirá, em 2005, R$ 6 bilhões para recuperar as rodovias, revitalizar as hidrovias, entre outros pontos chaves que focam a melhoria das condições. "Desenvolvemos um grupo de trabalho para analisar as demandas mais urgentes nos principais portos do Brasil e temos consciência que devemos começar a investir o mais rapidamente possível para solucionar algumas das questões, como construção de berços, dragagem e ampliação dos moles", disse. Porém, conforme lembrou a mediadora, "em 19 meses de governo, não se fez nenhuma concessão de rodovias. Há muita gente envolvida discutindo. Precisamos encontrar um sistema de soluções mais inteligente".

Edson Lupatini, diretor do Departamento de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), que estava representando o secretário Ivan Ramalho, afirmou que o governo está empenhado para solucionar os entraves que comprometem o crescimento do comércio exterior brasileiro e também o que diz respeito aos problemas logísticos. "O MDIC faz o possível para desburocratizar as exportações. Com isso, foram eliminados mais de 190 atos e 900 manifestações prévias de órgãos governamentais, como a Anvisa", disse. O executivo declarou que o governo trabalha também para colocar em operação o novo Siscomex e que o Drawback terá uma nova sistemática de operação a partir de setembro.

Miriam Leitão encerrou o debate defendendo que "o que acontece, atualmente, é uma crise de crescimento. As empresas se globalizaram rapidamente. O que realmente falta é uma conversa conjunta entre todos os interessados para solucionar os problemas logísticos. Isso é um fato ruim que surge de uma situação boa", finalizou.

Fotos por Gladstone Campos

Por Flávia Gavioli - Direto da Feira Transnacional 2004

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