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ABRETI | Mercado

Título: Carga aérea dobra em cinco anos e atinge US$ 31 bilhões
Fonte: VALOR ECONÔMIC – 18.10.07
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O transporte de cargas internacionais por via aérea, que praticamente dobrou para US$ 30,8 bilhões nos últimos cinco anos, colocando-se como o segundo mais utilizado no país, após o marítimo, prepara-se para continuar livre de apagões. Distanciado do foco da mídia dirigido aos passageiros, está com um pacote de R$ 161 milhões para aplicar em quatro principais projetos de infra-estrutura nos terminais do Galeão (RJ), Porto Alegre (RS), Vitória (ES) e Curitiba (PR). O maior deles, Porto Alegre, de R$ 90 milhões, destina-se a cargas de importação e exportação, com obras a serem iniciadas em 2008 e concluídas em 2010.

Administrados e operados pela Infraero, há 32 terminais de carga em todo território brasileiro, que devem fechar 2007 com um crescimento de 10%, para cerca de um milhão de toneladas de importação e exportação. O modal aéreo consegue atender melhor as necessidades que algumas empresas têm em rapidez nas entregas e manutenção dos estoques baixos. A necessidade de embarcar e colocar no exterior, em 24 horas, cargas como pintos de um dia ou flores frescas, impõe a esse modal uma exigência extrema de sincronia de todos agentes envolvidos, comerciantes, industriais, Receita Federal, órgãos oficiais da saúde e da agricultura, funcionários dos terminais e das empresas aéreas.

"O aquecimento do mercado automotivo leva-nos a atender aos clientes na hora certa, por isso usamos o modal mais rápido, o aéreo. Além de estarmos habilitados nos regimes especiais da Receita Federal, como o Recof (Regime Aduaneiro de Entreposto Industrial sobre Controle Informatizado), garantia de entrar na linha azul do sistema", explica Anselmo Felix Riso, gerente de logística corporativa e comércio exterior da Bosch.

A empresa, com unidades industriais em três estados (São Paulo, Paraná e Bahia) importa e exporta componentes e produtos acabados, cargas de baixo peso e alto valor agregado.
"Cumprimos as vendas em dois dias e em menos de dez dias a mercadoria está nas mãos do consumidor", informa o executivo. A Bosch realizou, nos nove primeiros meses deste ano, 24.183 operações de embarque e descarga de mercadorias via aérea. As importações somaram US$ 150,4 milhões, enquanto as exportações, US$ 234,9 milhões. As compras internacionais da empresa estão por volta de ? 20 bilhões.

A Motorola, atuante no segmento da tecnologia da informação, com campus industrial em Jaguariúna, interior de São Paulo, agrega ao fator rapidez, o da segurança. "Praticamente, 100% das importações da empresa são feitas por via aérea. Algumas importações de acessórios, como carregadores e baterias são, eventualmente, feitos por via marítima. Nas exportações, 100% dos embarques são aéreos, devido à criticidade do tempo de entrega e dos potenciais riscos envolvidos no que se refere à segurança", diz Daniel Hermeto, gerente sênior de materiais da Motorola.

Também integrante do sistema Recof, da Receita Federal, a Motorola reconhece as vantagens do desembaraço aduaneiro para os negócios internacionais da empresa. "As exportações da empresa se concentram na América Latina, com destaque para Argentina, Chile, Colômbia, Peru e Venezuela, com tempo de entrega no destino (door to airport) de três a cinco dias corridos", acrescenta Hermeto. Em termos logísticos, o transporte marítimo torna-se viável apenas quando os produtos não correm grande risco de oxidação e que permitem a formação de estoques suficientes para suportar maior tempo de trânsito, esclarece o executivo. Ele prevê um crescimento de 15% nas exportações da empresa para este ano.

Os investimentos de R$ 161 milhões, segundo Lincoln Delbone, superintendente de logística de carga da Infraero, buscam atender ao novo estágio do comércio exterior do país, diversificado em produtos e regiões produtoras.

A elevada participação dos aeroportos de Viracopos (Campinas) e Cumbica (Guarulhos), em São Paulo, da ordem de 70% de toda a movimentação de carga internacional, deve-se à localização geoeconômica desses terminais, o que contribui para sua maior concentração de empresas aéreas. "De fato, a maior oferta diária de vôos - cerca de 500 pousos e decolagens em Cumbica - é um dos principais atrativos do terminal, com mais de 40 transportadoras aéreas nessas operações", enumera Carlos Alcântara, gerente regional de logística da Infraero em São Paulo.

O terminal de logísticas da Infraero em Guarulhos conta com uma área de quase 100 mil m2 , com diversas especialidades, de flores a calçados, de frutas a tecidos. "Procuramos nos antecipar à demanda para evitar a falta de infra-estrutura, que venha a se constituir em causa de um eventual apagão logístico", diz o gerente. De janeiro a agosto, Guarulhos avançou de 17% , para US$ 7,6 bilhões, no valor das cargas. A expectativa do terminal é crescer 13%, para 125 mil toneladas nas importações, em 2007, enquanto as exportações se manteriam estáveis, por volta de 114 mil toneladas.

O modal aéreo nas importações equivale a cerca de um quarto de todas as compras do país, rivalizando com quase idêntica posição do porto de Santos, o que acumula maior soma de aquisições externas. "Os aeroportos são os nossos principais concorrentes", diz Ronaldo Souza Forte, diretor da Santos Brasil, o maior terminal de contêineres no porto de Santos. Forte alerta que, no ranking das importações, o aeroporto de Viracopos, considerado cargueiro, é o segundo mais utilizado, após o porto de Santos, com o equivalente a US$ 6,4 bilhões, de janeiro a agosto de 2007. Se fosse cercado de água, Viracopos já seria o quinto maior "porto" de cargas internacionais brasileiras, atrás de Santos, Vitória, Paranaguá e Rio de Janeiro.

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